Publicações

O tema sempre foi polémico e já não é de agora que a rede social dominante o “Facebook” aparenta ter uma grande preocupação com a privacidade dos seus utilizadores mas ao mesmo tempo promove intensamente a partilha da vida quotidiana e pessoal dos seus usuários. Sendo as redes sociais e nomeadamente o Facebook uma rede alimentada pelas partilhas dos utilizadores faz todo o sentido, acaba por se tornar caricato a mescla de particulares cuidados e precauções com todos os possíveis e imaginários aspetos ligados à privacidade dos mesmos.

Acontece então que contrário da TV que já explora a intimidade das pessoas há muito tempo e onde, regra geral, se tem uma noção exata ao ver uma câmara de televisão que seremos expostos a amigos, conhecidos e estranhos em todo o País, razão pela qual a maioria das pessoas fica nervosa e mais contida em frente de uma câmara, tal não acontece nas redes sociais onde uma longa e onerosa campanha defensora da privacidade têm um efeito mais tranquilizador, libertador (e em alguns casos catastrófico) nos usuários desta rede social.

 

Por outro lado os utilizadores e a sociedade em geral tendem na última década a perder a noção entre o que é (ou deveria ser) público e o privado, esbatendo-se assim cada vez mais os limites entre a vida familiar, íntima e pessoal e a pública que a todos diz respeito. Um fenómeno fortemente influenciado pelo alargamento e generalização da palavra amigo que é usada hoje em dia para descrever uma rede em que grande parte das pessoas são meros conhecidos ou mesmo estranhos. 

Trata-se então de uma questão sociológica que é nova, pois historicamente sempre houve uma clara linha que separa o que mostramos e somos em público e em privado, e entre as definições de “amigo”, “conhecido” e “estranho”

Logo na hora de publicar a foto do meu arroz de cabidela já meio comido ou daquela monumental bebedeira (razão pela qual vou chegar ao trabalho na segunda-feira ainda meio zombie) com que definição de privacidade o devo fazer?! 

 

O mais importante é ter a noção de que um conteúdo ao ser colocado na web “deixa” de nos pertencer…ganha uma vida própria e naturalmente poderá sempre ser acedido e visualizado não só pelas centenas de estranhos a quem chamamos de “amigos” mas também através de outros meios (saindo mesmo da rede social para a web) por outros estranhos ainda mais estranhos que os anteriores! Não esquecendo também os fake profiles e o print screen que qualquer pessoa a qualquer altura (sim daqui a muitos anos…) pode revitalizar e recuperar a mesma.

No meu ponto de vista, apesar de compreender e aceitar que esta definição de privacidade limita em certa medida o acesso a determinado conteúdo (sendo a mais sensata) a resposta a esta dúvida existencial dos tempos modernos é simples: 

 

Na realidade tanto faz pois se a foto, comentário ou opinião não é suficientemente “boa” para poder estar em “público” (sem privacidade) não deveria sequer estar a ponderar publicar de qualquer das formas.

Moral da historia? Antes de publicar, ou comentar mesmo que para os “amigos” deve-se pensar se a publicação faria sentido em “público”, para ser visualizada por centenas ou milhares de estranhos para sempre… se sim e desde que se saiba que estará sempre a partilhar em “público” na realidade, publique da forma que achar melhor!

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